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ANTONIO CARLOS DA COSTA GUIMARÃES.


O GAROTO DA FARDINHA CAQUI.

 

 

PRÓLOGO.

 

"A memória, segundo Nordau, é determinada pela fixação de uma gota de sangue nas células cerebrais. Despertada a atenção do indivíduo por um dos sentidos, sobe essa gota de sangue por um filamento nervoso e vai colocar-se na célula correspondente. Mais tarde, toda vez que uma sensação idêntica ferir esse nervo, a memória evocará o fato anterior, de modo que, enquanto essa gota de sangue não secar, restará no cérebro, a lembrança do acontecimento que a determinou". 

 

APRESENTAÇÃO.

 

Nada é mais difícil do que estabelecer as origens de uma família, seja ela oriunda das camadas mais humildes, até mesmo como burguesa ou ainda supostamente aristocrática. Em todas essas hipóteses, tentamos desvendar e encontrar na botânica das vaidades, a tão gratificante árvore genealógica!

Cada um viverá eternizado pela nossa lembrança, e teremos assim, a certeza de que amanhã também viveremos na memória histórica de nossas famílias. Viver terá sido então, válido. Felizes, os que buscam o resgate de seus entes queridos e não os deixam perecer duas vezes: no momento da partida e no próprio esquecimento. Infelizes, aqueles que sequer deixam um nome para a posteridade.

Este breve, mas significativo registro, conta em parte, as origens e a trajetória árdua percorrida por Antonio Carlos da Costa Guimarães, desde o berço de seu nascimento na belíssima Mirassol, terra dos girassóis, aos dias de convivência suprema pelas cidades por onde passara, e ao final de sua caminhada entre nós, aos 26 de setembro de 2015, em São José dos Campos-SP. Em todas as partes por onde esteve, Guimarães como era conhecido, ou simplesmente Guima, deixou nos rastros do passado um pouco de sua história, de seus momentos de lutas, de sofrimentos, de alegrias, de tristezas e de sucessos. Mas, sua verdadeira trajetória de vida esteve pautada na honradez, na honestidade e no caráter. Que saudade danada de você, Guimarães!

O autor.

 

DEDICATÓRIA.

 

Esta pequena lembrança sobre meu grande amigo Guimarães, tem destino certo: Seu sobrenome Costa Guimarães. Os sobrenomes modificam-se, as mulheres se casam e seus filhos supostamente nada tem a ver a ver com as origens esquecidas. No entanto, os ensinamentos permanecem, a inteligência é herdada, a força e capacidade de luta e trabalho, também. À Maria Santana, Clarissa e Patrícia, anjos do saudoso marido e papai, procurem transmitir aos seus filhos, a importância do sobrenome Costa Guimarães, porque, mesmo com sobrenomes trocados pelas leis e regulamentos, haverão de honrá-lo e a demonstrarem de onde vieram.

O autor

 

A FELICIDADE SEMPRE PRESENTE.

 

OS MOMENTOS EM QUE A ALEGRIA E FELICIDADE CAMINHAVAM JUNTAS.

 

PREFÁCIO.

 

Tenho a honra de, em breves linhas, expor a admiração e o respeito que devoto pelo prefaciado. Falar do Guimarães, é fácil, tamanha suas virtudes. Difícil é não reconhecer seus méritos e suas vitórias na vida pessoal, familiar e profissional. 

O Guima, como era carinhosamente chamado pelos amigos, teve por todos os seus pares que o conheceram, a gratidão do dividir, sua competência profissional e o amor incansável de ajudar. Foi o amigo dos amigos!

Tive a oportunidade de trabalhar junto no CPA/I/1, hoje CPI-1. A homenagem ao Guimarães é demais merecida. Sua vida foi abreviada por Deus, porém, suas realizações ficarão eternizadas na sua família e nos amigos, que referenciam sua memória. Obrigado, Guimarães.                                                                                                                                                         

                                                                     Luiz Gonzaga Moreira                                                                     Capitão PM

 

ORIGENS.

 

No outono, daquele dia frio e cinzento de 23 de abril de 1944, às 08.00 horas, na Rua São José nº 810, nascia o primogênito do casal Anacleto da Silva Guimarães e Emerita da Costa Guimarães. A bela e aconchegante, Mirassol, situada ao norte do Estado de São Paulo, o recebia de braços abertos. Vivíamos então, a plenitude da Segunda Guerra Mundial.

 

O PRIMOGÊNITO DA FAMÍLIA COSTA GUIMARÂES.

 

A família, composta de quatro filhos, Antonio Carlos, Marcos, Maria Emília e Vitória, era mantida pelos supremos cuidados de dona Emerita, sempre dedicada ao lar, e de seu marido Anacleto, que labutava o dia a dia para a tão árdua missão de não deixar faltar nada. Anacleto era funcionário público estadual da Secretaria da Agricultura, nomeado que fora para exercer a função de Encarregado do Depósito do Departamento de Produção Vegetal. Foram dias difíceis, entretanto, a alegria os sobrepunha. Anacleto, ficaria pela estrada da vida, devido ao seu falecimento em 1952, em Mirassol, onde foi sepultado.

 

A ORFANDADE E A GRANDE HEROÍNA.

 

Antonio Carlos era o mais velho dos quatro irmãos. Órfão de seu genitor, seu companheiro fiel e timoneiro, teria sua infância voltada para ajudar sua mãe no cuidado com os irmãos mais novos, o que tornaria ainda mais difícil a coesão e o seguimento de uma nova jornada, agora sem o chefe da família. Sua mãe, de origem humilde e sem posse alguma, encontraria nos serviços de doméstica, sua única sobrevivência, além de carregar consigo o pesado fardo por ser analfabeta. Sozinha e desorientada, havia deparado ante a grande encruzilhada de sua vida, qual seja, como criar seus filhos tão queridos e sem meios de ampará-los. Segundo ela, era difícil conciliar seu trabalho de servente na Secretaria da Agricultura, com o cuidar dos filhos. Outro fator que determinou para que tomasse tal atitude era que Antonio Carlos, o mais velho, quase senpre fugia de casa para tomar banho em lagos e rios, deixando dessa forma, seus irmãozinhos em completo abandono. 

 

A MÃE EXTREMOSA, EMERITA DA COSTA GUIMARÃES. 

 

A penúria tornara-se extrema, quase desesperadora. Emerita, entretanto, dotada de acentuado espírito maternal e de uma tenacidade corajosa, próprias das mulheres espartanas, enfrentara o duro golpe pela perda do companheiro, cuja lembrança não permitiu um instante de sono, na noite longa, fúnebre e solitária. Entretanto, não se afastara de seu posto. À semelhança do comandante que permanece no convés após a catástrofe, lá estava ela, firme à frente de seu lar, com a lembrança do marido no coração alanceado, mas, cuidando, infatigável e heroica, dos quatro filhos que ficaram. Mas, era preciso viver e necessário que não suspeitasse o seu sofrimento. Dessa forma, dois anos se passariam até que se depararia do mais triste momento de seu destino: a separação cruel e inevitável de seus filhos. Entregues à própria sorte, nada havia talvez, mais de aflitivo do que o momento do adeus.

 

O NOVO LAR: O ORFANATO CRISTÓVÃO COLOMBO.

 

A data de 14 de fevereiro de 1955 ficaria escrita perenemente nas páginas gloriosas da vida de Antonio Carlos, um menino prestes a completar 11 anos, como o primeiro a ser levado pela benevolência divina às portas do antigo Orfanato Cristóvão Colombo, atual Instituto. Localizado no bairro do Ipiranga, referida instituição fora criada e administrada pelo padre italiano José Marchetti, o qual era considerado o “pai dos órfãos”. Aquele menino obediente e respeitoso ingressaria então, naquele orfanato, com a matrícula de nº 400, sob a égide dos Irmãos Carlistas, da Ordem de São Carlos. Também se comemorava o aniversário de São Paulo, onde seu time de coração, Corinthians, sagrara-se Campeão do IV Centenário.

 

AS PRIMEIRAS INSTALAÇÕES DO ORFANATO CRISTÓVÃO COLOMBO.

 

 

ATUAL INSTITUTO CRISTÓVÃO COLOMBO, 

 

Naquele orfanato completaria o ensino primário e reteria em sua memória os dias felizes que ali permanecera, onde as aulas de música com o saudoso irmão Francisco; as broncas sempre rotineiras do irmão Leão, quase sempre acompanhada de puxão de maneira alternada nas orelhas e de alguns beliscões graciosamente oferecidos, as palmadas que as professoras distribuíam aos menos desavisados, as missas com o irmão Danilo e outros, o retorno ao Orfanato utilizando-se de bonde elétrico, do imenso dormitório que diziam ser mal assombrado, das idas com outros internos à Igreja de Santo Antonio, na Praça do Patriarca, para auxiliarem nas missas e em outras atividades, ou ainda de certa feita, quando cortara seu pé com um caco de vidro, sendo socorrido de imediato pelo irmão Francisco, que o levou de cavalinho e depois de carro, até ao hospital, pois, sangrava muito e não conseguia colocar o pé ao chão. Por fim, a lembrança perenal dos amigos inseparáveis Melquíades e João Tomazelli. Todo esse convívio e atitudes demonstradas, o ajudariam a se tornar coroinha nas missas que eram rezadas em latim. Tudo isso ficaria marcado em sua vida. Com certeza algum dia pensara, por onde andam vocês, Melquíades e Tomazelli?

 

NO ORfANATO CRISTÓVÃO COLOMBO, AOS 12 ANOS, COM O SEMBLANTE DE ALEGRIA CURSANDO O 4º ANO PRIMÁRIO.

 

A SOLIDÃO E O MILAGRE DO REENCONTRO.

 

Aquele menino, apesar de receber toda a compreensão e carinho por parte dos Irmãos Carlistas, trazia consigo as marcas da solidão. Sua mãe, em razão da pobreza absoluta, raramente o visitava. Era demasiadamente triste para ele presenciar a maioria de seus companheiros de internato receberem visitas, guloseimas e o abraço fraternal de suas mães ou de seus pais. Distante de todos, permanecia em um canto qualquer, observando tudo e perguntando a si mesmo o porquê de sua mãe não aparecer para visita-lo.

Mas, enfim, um belo dia de dezembro ela apareceria para leva-lo de volta. Lá deixaria uma parte de sua vida que jamais esqueceria, pois, a formação que recebera o ajudaria em seu crescimento como ser humano. Assim, só lhe restariam, saudades. 

 

DÉCADA DE 60. ENFIM, O GRANDE MOMENTO DAQUELA FAMÍLIA, OUTRORA, SEPARADA PELOS DESTINOS.

 

A PERSISTÊNCIA EM QUERER VENCER.

 

Corria o ano de 1957, quando, já distante daquele mundo maravilhoso em que vivia, porém, triste, pela ausência de sua família, foi trabalhar em uma agência de telegramas por cabo, como mensageiro, na All América Cable and Rádio Inc. à Rua Libero Badaró. Foi nessa empresa e rua, que teve seu primeiro emprego com carteira assinada. Tinha treze anos e sua mãe precisou de autorização do Juiz de Menores, para que fosse registrado.

 

O SERVIÇO QUE DESEMPENHAVA TODOS OS DIAS: A ENTREGA DE TELEGRAMAS.

 

Seu primeiro uniforme seria uma fardinha caqui, sapatos marrons e um quepe da cor do uniforme. Hoje, essa empresa não existe mais, pelo menos no Brasil, desativada que foi. Dois anos mais tarde, garoto tenaz e ambicioso, foi trabalhar como auxiliar de escritório nas Casas Fausto, principal concorrente das Casas José Silva e das Lojas Garbo. O escritório se estabelecia à Rua Líbero Badaró, mas, em determinado momento fui destacado para trabalhar na loja, que ficava na esquina da Praça do Patriarca com aquela rua.

Curiosamente, ao lado do novo endereço, existia uma loja de doces da Kopenhagen, aonde raramente adentrava, não por falta de vontade, mas, porque o seu bolso não permitia. Aquela loja de doces era uma tortura para aquele garoto. No horário de almoço, ele e alguns colegas iam até o auditório da Rádio Nacional, na Rua das Palmeiras, onde ficavam assistindo um programa comandado pelo saudoso Manoel de Nóbrega, em que um dos apresentadores, no início da carreira, tinha o apelido de "Peru" e mais tarde viria ser um dos mais famosos apresentadores da televisão brasileira, Sílvio Santos.

Nessa época, o Baú ainda pertencia ao então radialista Manoel de Nóbrega. A entrada era gratuita e essa era sua única diversão. Depois, voltavam do almoço, que na verdade era comida fria, acondicionada a uma marmita, pois não havia onde e como esquentá-la. Mas, voltavam felizes para o prosseguimento serviço de entrega de telegramas.

 

INÍCIO DA DÉCADA DE 60. UM GALÃ EM SUA PLENA JUVENTUDE.

 

Reencontrando as marcas de um passado não distante, com lembranças indeléveis retidas nas prateleiras empoeiradas de seu cérebro, e quando de passagem ao mesmo local em fins de novembro de 2009, aquele filme voltaria a emocioná-lo. Ali, diante da Praça do Patriarca, cruzando consigo mesmo na magia do tempo, as mesmas lembranças voltariam como que por encanto. Certamente, a fardinha caqui, as mãos cheias de telegramas e alguns passes no bolso, se fizeram presentes naquele intante de sua vida.

 

A CARREIRA NA GUARDA CIVIL DE SÃO PAULO.

 

A Guarda Civil do Estado de São Paulo, criada em 22 de outubro de 1926, pelo Governador Carlos de Campos, era um importante apoio ostensivo para a Polícia Civil do Estado de São Paulo, criada para realizar o policiamento preventivo e ostensivo das áreas urbanas do estado, bem como zelar pela segurança pública e pela incolumidade pessoal e patrimonial dos cidadãos. Seus efetivos tiveram destacada participação quando da eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, durante a 2ª Guerra Mundial na Itália, originando a 1ª Unidade de Polícia Militar do Exército Brasileiro (PE), atual Polícia do Exército, e enfrentando e combatendo os horrores do terrorismo que se implantara em todo o território brasileiro, principalmente na capital paulista.

       

   

                    SEU PRIMEIRO HOLERITH                                                                                                                                    HINO DA GUARDA CIVIL DE SÃO PAULO                                                                                             

Dessa forma e em pleno Regime Militar, naquela manhã de 16 de maio de 1964, às 0800 h. de uma sexta feira de céu cinzento e carrancudo, própria do outono paulistano, a Guarda Civil de São Paulo aguardava ansiosa e de braços abertos seu mais novo integrante, Antonio Carlos da Costa Guimarães.

 

NA GUARDA CIVIL DE SÃO PAULO EM 1964 COMO 3ª CLASSE.

 

Aquele moço de corpo esguio, adentrava os portões de sua nova casa, aquela que lhe serviria de tranquilidade e sustento por muito tempo. Deixaria para trás, marcas de sofrimento, de lutas, de desacertos e de vitórias, que o acompanharam como uma constante em sua vida. Receberia a Matrícula nº 25.964 sendo declarado policial de 3ª Classe, graduação esta que o acompanharia até 08 de abril de 1970. Entretanto, por força da lei nº 217, de 9 de abril de 1970, a Guarda Civil do Estado de São Paulo foi extinta, sendo seus efetivos incorporados aos efetivos da Força Pública, dando origem à atual Polícia Militar do Estado de São Paulo.

O autor.

 

A POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, EM SUA VIDA.

 

A fusão entre a Guarda Civil e a Força Pública do Estado de São Paulo, motivada  por um Decreto Federal de dezembro de 1969, ocorreu de maneira conturbada no que diz respeito aos seus integrantes. No aspecto de promoções de policiais da extinta Força Pública, ficou relegada à postergação, criando-se uma incógnita para sua definição. Com a fusão, constatou-se por exemplo, a demora para promoção de 3º para 2º Sargento, de até 12 anos, tendo alguns atingidos tempos maiores para graduações sequentes. Aos guarda civis, cabiam a opção de escolha, ou seja, de aceitar a incorporação ou a de escolher continuarem como funcionários civis. Guimarães, como será tratado daqui por diante em razão de seu nome de guerra, optou por ingressar na nova instituição, qual seja, Polícia Militar do Estado de São Paulo. 

Primeiramente foi transferido para o 27º Batalhão Policial, conforme publicação em Boletim Geral nº 145, de 07 de agosto de 1970, ali permanecendo por 8 meses, e após, transferido para o 30º B.P. onde exerceria a função de motorista. 

 

BENÇÃO DA ESPADA. 

SUA ESPOSA, SUBTENENTE PM MARIA SANTANA DE BARROS GUIMARÃES.

 

 

 

 

CINZAS DA ETERNIDADE.

 

 

 

Tantas vezes a seu lado, apreciamos a beleza deste mar, entre a pedra que nos sustenta aqui e a imensadão deste mar, com sua beleza potencializada pelo reflexo do sol poente, além do horizonte, neste 26 de setembro de 2017. Exatamente neste lugar, que tantas vezes foi nosso palco familiar, pra contemplarmos as maravilhas do Criador! 

E hoje, quando a saudade tão indescritível de você sufoca meu peito e toca indelevelmente os corações de nossas princesas, nós três olhamos este cenário incrível e sentimos que a liberdade agora, é toda sua, como berço explêndido que sempre te acolheu, e onde nós quatro podíamos orgulhosos, viver, brincar e aventurar pelas trilhas que nos conduziam até aqui. 

Doces lembranças deste paraíso, que embalou em nós um amor tão genuíno, e que nos desperta pra uma vida de harmonia plena, pois, nas palavras de seu poeta favorito "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", pude ver o quão imensa e generosa sempre foi sua alma. Tão difícil esta ausência física por, exatamente dois anos, e o que nos consola é exatamente este legado de sua essência, de um ser humano completo na simplicidade, zelo e amor por nós e ao seu próximo.

Saudades, saudades, saudades eternas! Te amo pra sempre, amor meu! 

                                                                                  Maria Santana.

 

UM POETA DESCONHECIDO.

 

Guimarães, nos colóquios com sua alma e no silêncio de seu coração, retinha as qualidades sentimentais e intelectuais que somente os humildes possuem os atributos da glória. 

Utilizava-se das crônicas, das poesias, dos versos e dos acrósticos, de maneira que o coração se manifestasse livremente para o horizonte da Vida e a visão do Universo. Entretanto, guardava para si e se recolhia em seu côncavo, para, em determinado momento exprimir toda sua cultura, todo seu conhecimento e toda a anunciação como mais um poeta desconhecido. 

Despretencioso, mas, afeito às lições da modéstia (quando se autodenominava poeta menor), da bondade e da sabedoria, proporcionava em seus dias de caserna, junto de sua família e a todos que se lhe acercavam, o desejo de servir. Durante toda sua existência, portou-se como um homem simples, tendo a felicidade suprema de receber em vida, os aplausos daqueles que o conheceram.

                                                                                             O autor.

 

 

REENCONTRO (COM MARIA SANTANA).

 

                                                        M eu olhar encontrou-te um dia,

                                             A o final de uma tarde dourada.

    R ostinho tão lindo que mais parecia

          I magem de um anjo que na terra descia.

                 A o ver-te eu senti que sem ti eu não era nada.

 

                                             S egui eu muito triste, porque

                                             A teus lindos olhos, não apareci,

         N em viste o instante em que eu suspirei.

      T ampouco notastes que estava eu ali.

             A o passar de algum tempo, eu a encontrei. 

               N essa hora, confesso, quão feliz me senti! E,

                                             A gora, sem ti, não viverei.

 

                                                                                 Julho de 1978 (Antonio Carlos)

 

SAUDADE.

 

                                             Quem ama, sente saudade,

                                             que chega bem de mansinho  

                                             e logo seu peito invade,

                                             machucando, é bem verdade.

                                             Mas, como é bom neste mundo

                                             ter um amor bem profundo

                                             e dele sentir saudade.

 

 

O TEU SORRISO.

 

Das muitas coisas que eu gosto

                                              em você, ó minha vida,

                                              uma estou sempre a lembrar,

                                              pois, me alegra a recordar

                                              do teu sorriso querida.

 

                                              Ele é o sol que me aquece

                                              nas manhãs de primavera,

                                              e tudo fica mais lindo

                                              quando você vem sorrindo

                                              com teus lábios de quimera.

 

                                              E se alguma vez estou triste

                                              sem saber por qual razão,

                                              é o teu sorriso querida

                                              que me desperta pra vida 

                                              e me alegra o coração.

 

                                                                                Maio de 1978 (Antonio Carlos)

 

 

LAMENTOS DA ALMA

 

Os dias amanhecem nevoentos e frios.

O sol, que demora, muitas vezes não vem

e a solidão que o meu peito invadiu,

gela-me o sangue e a alma também.

 

            Os dias passam tristes e vazios,

            e, como eles, também vou passando,

            qual um fantasma em vales sombrios,

            à espera do nada e o olhar divagando.

 

                        Perdido em mim mesmo, eu ligo,

                        porque já não posso nem mesmo parar,

                        sentindo os espinhos que levo comigo,

                        no peito cravados e a alma a chorar. 

 

                                   Eu choro a saudade que eu tenho de alguém

                                   que sofre também um martírio sem par,

                                   mas sofre em silêncio e não diz a ninguém

                                   que a dor que carrega e a tristeza no olha

                                   são frutos do amor que a vida lhe deu, 

                                   mas, que vive distante e demora a voltar.

 

                A espera é tão longa e os dias tão frios,

              as tarde sem sol, com o vento a soprar

          as folhas das árvores, parece dizer

               que amar é sofrer, para o amor exaltar,

                quando a espera findar, e então merecer

              em teus braços viver, dormir e sonhar.

 

Julho de 1978 (Antonio Carlos) 

 

 

CALMARIA.

 

A calma que desce em meus dias

e como a chuva em tardes de verão,

a cair mansamente sobre as pradarias, 

molhando as plantinhas que brotam no chão.

 

            É como um dobre de um velho sineiro,

            que suave entoa como uma oração, 

            avisando os fiéis e possíveis romeiros,

            que a hora é de paz e de meditação.

 

                       É como o riso alegre de uma criança

                       levada pela mão de uma mãe distraída,

                       riso que traz-nos tantas lembranças

                       de coisas deixadas na aurora da vida.

 

                                   Há muito que em mim eu não via

                                   esses arroubos e essa enorme vontade

                                   de viver, e pela vida, cantar eu queria:

                                   "encontrei no amor a minha felicidade!         

                                                               

Outubro de 1978 (Poeta menor)

 

 

LUZ DE MINHA VIDA.

 

"Onde quer que eu esteja meu pensamento estará contigo em todos os momentos, como luz, a guiar-te pelos caminhos da vida. A ausência física, que traz a nostalgia e a solidão em forma de saudades, torna cada vez mais sublime e puro, o amor entre dois seres, que buscam descobrir juntos a verdadeira felicidade, que é a razão maior da existência humana."

 

Outubro de 1978 (Poeta menor)

 

MEDITAÇÃO.

 

Às vezes, quando estou só,

pensativo e ensimesmado,

sinto na garganta um nó,

por muitas que tenho passado.

     

     Não tem sido fácil a vida,

     a pregar-me peças na alma,

     e esta existência sofrida

     exige de mim toda calma.

 

            Todo equilíbrio possível

            em mim eu procuro encontrar,

            para vencer o invencível

            e a luta continuar.

 

                    O sofrimento é enorme

                    por tantas decepções,

                    e à dor que me consome

                    somam-se às desiluções.

 

                            Sou como um barco perdido

                            no mar da minha existência.

                            A vida é um porto esquecido, 

                            invadido pela ausência.

 

                                    Ausência de sentimentos,

                                    Sem grandes revelações,

                                    onde a dor e o sofrimento

                                    tomam grandes proporções.

 

                                           Nem tudo é pesadelo, porém, 

                                           ou sofrimento total,

                                           porque não é dado a ninguém

                                           A perfeição do ideal.

 

                                                   Procura-se atingir uma forma

                                                   de sua aproximação, 

                                                   e mesmo ditada por normas,

                                                   a vida nos dá seu quinhão.

 

                                                          Tem ela seu lado bom

                                                          Será compensarmos da dor,

                                                          Porque herdamos o dom

                                                          de cultivarmos o amor.

 

                                                                  E vive naqueles que têm

                                                                  um coração para amar,

                                                                  braços abertos pra alguém

                                                                  e sempre um sorriso pra dar.

 

Agosto de 1978 (Antonio Carlos)

 

 

 

 

 

Nota: Esta obra encontra-se em construção, devendo ser concluída brevemente.

 

PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, ESCRITOR E PESQUISADOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.

cfgilberto@yahoo.com.br

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Irmão amado e abençoado! | 30/06/2020
Linda homenagem! Lendo, pude reviver muitos momentos que a vida, por si só, acaba colocando num cantinho bem escondido em nossos corações, chamado "passado", e quando me deparei com esse passado me emocionei e chorei. Obrigada por fazer viver tudo de melhor que existia em meu irmão. Uma pessoa muito importante em minha vida, que quando partiu, deixou em meu coração uma saudade doída e que somente o tempo vai acalmando. Meu poeta favorito, meu amigo, conselheiro, piadista, divertido, bravoooo, correto....um dia nos encontraremos na paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Profº Gilberto, Deus o abençoe por essa lembrança tão linda e merecedora, Toninho merece e com certeza ele está muito feliz com seus Anjos.
Lourdes Milliatti

Vida Significativa | 27/06/2020
Não tive o privilégio de conhecê-lo, no entanto sou testemunha da amorosidade por ele semeada nos corações de sua querida esposa e filhas! Que benção ser lembrado com tanto carinho ! Que bonita homenagem ! Parabéns, Sr Gilberto!
Maria Zélia

Almas gêmeas. | 20/06/2020
O amor entre Toninho e Santana, presente no meu casamento, foi obra de Deus, um encontro de duas almas! Maria Santana, amiga de adolescência, um ser maravilhoso, merecia uma alma gêmea como o Toninho. Por desígnios de DEUS, não permitiu que envelhecessem juntos como eram os planos, mas, algum dia, se reencontrarão na eternidade.
Maria Aparecida Fonseca.

A certeza de um dia... | 19/06/2020
São quatro anos sem você. Sem seu sorriso, suas histórias, suas lembranças, sua presença que acalma. Neste ano está especialmente difícil essa ausência física. É o ano em que chegou seu netinho, o primeiro neto menino, e que, tenho a certeza que seria muito amado (e mimado) por você, pai. Meu sonho era vê-lo em seu colo, ouvindo suas histórias e sentindo esse amor que a gente teve o privilégio de receber a vida toda! Meu coração fica mais um pouco apertado, mas com a certeza de que você está aí em cima olhando por nós, enviando as melhores energias ao Huguinho. Te amo. Até um dia.
Clarissa Guimarães

Merecida homenagem | 07/06/2020
Sr Gilberto, parabéns pelo texto! De fato, o protagonista do texto, o qual tenho o privilégio de ser filha, merece todas as homenagens. O garoto da fardinha caqui entendeu muito cedo um dos propósitos de sua vida - cuidar dos seus familiares - e assim o fez com excelência: desde que se tornou, de certa forma, chefe de família aos 8 anos ate o fim. Sendo sempre exemplo de retidão, uma de suas maiores marcas. Com certeza deixou muitos exemplos e ensinamentos, que carregarei comigo e transmitirei aos meus descendentes, que irão adorar saber o Grande avô que tiveram! Abraços!
Patricia

Um reconhecimento nunca tardio. | 07/06/2020
É pai, e eu que sempre ouvi você me contar essa e outras histórias. Somente lendo é que pude visualizar todos os detalhes que eu deixei passar batido, quando você a narrava ao vivo. Posto esta história, em contraponto a como vivemos hoje, dentro da nossa realidade, menos humilde, porém longe de ser extensiva, percebo o quanto você lutou e não desistiu de seus objetivos, e até muitas vezes teve de mudá-los no meio do caminho, em prol de todos nós. Quanto você merece ser reconhecido! Te amo.
Clarissa Guimarães

Doce lembrança. | 07/06/2020
Sou filha do Capitão Luiz Gonzaga Moreira, e vivenciei a amizade dele, com o Guimarães e o professor Gilberto. Me emocionei com a homenagem e boas lembranças. Eu era adolescente na época, mas sabia que a amizade dos três era recíproca e verdadeira. Gilberto, parabéns pela homenagem ao Guimarães, tenho ótimas lembranças relacionadas a ele, sendo uma boa pessoa e com uma família maravilhosa. Um abraço a você, Professor Gilberto!
Andréa Silva Moreira

Saudades, o Amor que fica pra sempre! | 06/06/2020
Um turbilhão de lembranças invade meu ser ao ler suas palavras nestas páginas de "História em Evidência", ao som da música Somewhere in Time, parte da trilha sonora do nosso filme predileto. Digo turbilhão, porque diante de tudo que vivemos e compartilhamos em quase 40 anos, tantas histórias trocadas, aliadas à sua ausência física, me traz imensa nostalgia. Mas, creio que é normal, quando se vive um grande amor! Muito obrigada de coração por esta linda homenagem ao seu caro amigo, que te levava no lado esquerdo do peito!
Maria Santana de Barros Guimarães


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