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CLEBER COELHO
   

 

 

 

 

CLEBER, UM POETA DOS NOSSOS DIAS.

 

Taubaté, 20 de abril de 2016.

 

Um esclarecimento que se torna oportuno: minha amizade com Cleber Coelho é recente, datando de 1º de janeiro de 2013, portanto, uma amizade ainda, sem um horizonte de conhecimentos. Entretanto, nesse tenro tempo de convívio, posso garantir tratar-se de pessoa idônea, de conduta ilibada, pai amoroso e exemplo de marido. Empresário bem sucedido, seu círculo de amizades se resume às pessoas de bem, ao convívio sempre presente com sua família, estreitamente ligado à cultura de nossa música (ao samba em particular), ao carnaval, ao Rio de Janeiro como terra querida de todos nós, e, porque não dizer, aos gostosos e prazeirosos momentos com seu chapéu Panamá, devidamente acompanhado de chopes nos mais variados locais da Cidade Maravilhosa. Assim, é Cleber.

 

                                       

                        COM CHAPÉU PANAMÁ E AMIGOS, SAUDANDO A ALEGRIA.                            A VIDA COMO ELA É, E COMO TEM DE SER.

 

A homenagem que lhe presto está intimamente ligada a uma pessoa nascida em Taubaté, muito conhecida no mundo artístico e que um dia nos encantou com suas mãos e que hoje o vivenciamos através de seu legado: Maestro Ivan Paulo da Silva, o nosso sempre saudoso, querido e lembrado Maestro Carioca. Esse mesmo Maestro Carioca é pai de outro magnífico Maestro, Compositor e Arranjador de artistas maravilhosos, Ivanovich Paulo da Silva, carinhosamente tratado por Maestro Ivan Paulo. Também é oportuno registrar a figura maiúscula e destemida de sua filha Ivanizete Paulo da Silva, a nossa Ivani, "Guerreira" na acepção do termo, na luta e na busca por um Brasil melhor, incansável no duelo contra a corrupção e batalhadora pelos ideais de todo brasileiro, qual seja, um país justo e progressista. Dessa forma é que relaciono Cleber Coelho a Taubaté e dessa forma é que, tendo conhecimento de uma homenagem que prestou a um grande amigo que não está mais entre nós, "Beto do Surdão", é que resolvi homenageá-lo. São palavras expressadas que muito me emocionaram, e que faço das suas palavras, as minhas para publicá-las. Aquele abraço, grande poeta!.

 

"QUANDO A SAUDADE APERTA".

 

 

Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2005.

 

 

Para o amigo Beto, “Menino de meio Sorriso”.

 

 

Foi lá para as bandas de l978 que conheci um menino e que mais tarde, e por sua simpatia e graça, dei-lhe o apelido de “Menino de Meio Sorriso”.

Roberto, Beto, General, era assim que eu chamava esse meu amigo: Fala Beto! E aí General?!. Era assim... E assim foi até que – conforme diz a música Sabiá que Paulo César Pinheiro compôs para Clara Nunes quando ela se foi – “Um dia/ Um ser de luz nasceu/ Numa cidade do interior/ E o menino Deus levou.../ E ele se pôs a cantar/ Para além do luar/ Onde moram as estrelas/ E gente fica a pensar/ Vendo o seu clarear/ Na esperança de vê-lo... Canta meu sabiá/ Voa meu sabiá/ Adeus meu sabiá/ Até um dia...”.

Beto se foi. Antes, porém, plantou em nossos corações toda a sorte dos mais puros sentimentos. Até depois da sua partida é possível enxergar os frutos da semente que ele plantou: - “Cleber, tantas vezes eu tive a oportunidade de dizer ao meu irmão que o amava e não sabia que o amava tanto e a tantos mais que ele amava, que eu amo a todos e não quero mais deixar de dizer isso a todas as pessoas que me são caras. – (Edna, sua irmã)”.

Histórias da fidalguia desse menino são infinitas: Certa feita marquei um encontro com o Beto e por essas inconsequências da vida, não fui e nem ao menos dei satisfação... Um absurdo! Posteriormente encontrei com o Beto na feira, ponto de encontro para a “missa”. – assim ele chamava o ato de sentar para tomar chope aos domingos – e comecei a engatar uma desculpa para o fato de não ter ido ao seu encontro. Beto nem deixou eu começar a falar e me disse com a elegância que sempre o distinguiu: ”Clebinho, se você não veio foi porque não pode. “Ato contínuo, disse ao garçom: fulano, desce dois chopes, meu amigo chegou!”, e, sabiamente, buscou um assunto alegre para livrar-me daquele constrangimento.

O ato de sentarmos para beber um chope ou uma cerveja na Praça, na Portela ou qualquer outro lugar, tinha a liturgia do sagrado como acontece numa cerimônia ou numa missa. Sentava-se para se viver a alegria na sua mais pura forma: a fantasia. Ali escolhíamos os maiores e melhores sambas-enredo de todos os tempos, os versos mais bonitos, resolvíamos os problemas do Brasil e assim por diante... Muitas vezes achávamos uma solução para a nossa querida Portela “e Beto me dizia: Vou falar com a Janicinha  (sobrinha dele que era secretária do capitão Guimarães, na Liga), talvez sonhando que Janicinha pudesse, sei lá, falar com o capitão ou beltrano e externar as nossas soluções para os problemas da azul e branco de Madureira... É, a gente sonhava...”.

A tristeza e os problemas do dia a dia não tinham vez...Onde já se viu sentar-se à mesa quatro e falar-se dessas coisas pequenas da gente, da vida?! Havia regras e qualquer um que sentasse naquela mesa era lembrado que pra falar de problemas ele só tinha cinco mi-nu-tos!

A mesa quatro não tinha número, era qualquer mesa onde sentavam-se sonhadores, compositores, poetas e filósofos do cotidiano, como nós e tantos que fazem da arte, a arte de amar a vida ...

Beto frequentou as melhores mesas quatro: na Barra da Tijuca, Praça Seca, Portela, Vila Isabel, Bola Preta, Helênico, Albano, Casa da Mãe Joana, Helênico, Império... e em cada uma delas deixou registrada a sua presença através da sua simpatia, carisma e fino humor. Ah! Beto, quantas boas lembranças..., quantas saudades...

Beto, recentemente, falava em comprar um “surdo”, instrumento que marcava o seu simbolismo. Qualquer um de nós (amigos) sabíamos do amor que ele tinha pelo “surdão” e ao fechar os olhos ainda podemos vê-lo e ouvi-lo, batendo, repinicando, contraindo a face, porque o surdo exige batida de “macho” mas, paradoxalmente, sorrindo o seu meio sorriso de menino. Não deu tempo...

Em 1987, achei que devia homenagear o Beto com um samba por tudo de bom que ele representava na nossa já então duradoura amizade e então compus.

 

 

“Menino de Meio Sorriso”

 

 

Você, menino de meio sorriso,

Que em boa hora vim a conhecer,

É entre outras coisas mais um grande amigo,

Por isso me orgulho de poder dizer.

 

Querido Roberto, batuta, amigo do peito,

Roberto do surdo, do samba, do cantarolar,

Quem não te conhecer, eu digo com respeito,

É o filho do seu Carlos e Dona Guiomar.

 

A sua amizade, compadre, só traz alegria,

Por isso, uma glosa eu fiz só pra ti agradar.

Queria ser poeta em dia de harmonia,

Para em prosa e verso te homenagear.

 

Que fazer agora...! Beto já não está mais entre nós...

 

Nossos índios, nas suas santas sapiências, dizem que as estrelas no céu são cada um dos seus antepassados que já se foram. Bom acreditar nisso.

Bom acreditar... Bom chegar na janela, olhar para o céu, divisar a mais bonita e cintilante estrela e dizer

“Salve, como é que vai amigo, há quanto tempo?”. Escrevi por que o meu coração pediu.

Escrevi porquê, de alguma forma, queria homenagear ao Seu Carlos, Dona Guiomar (seus pais) Alexandre, Edna, Thiago, Igor, Celinha, Janicinha, Jane e tantas outras pessoas da mesa quatro que tornaram fantástico este show, que é a vida. E, claro, também ao nosso Beto, do “surdo, do samba do cantarolar”.

Cuida do seu amigo. Até um dia, irmão.

Cleber.

 

 

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UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR...

 

 

 

Nesta manhã de 20 de abril de 2016, rebuscando nas prateleiras empoeiradas de meu cérebro, encontro palavras que servem como bálsamo para corações que ainda não souberam compreender ou que não encontraram momentos de refletirem sobre o significado do amor e a busca incessante pela felicidade. É tão efêmera nossas vidas, que, se soubessem, buscariam no sorriso de uma criança ou na neve do tempo estampados nos cabelos de uma ancianidade, o conforto para seus corações aflitos. E são essas mesmas palavras contidas em meu cérebro, que acordei cantarolando uma música do século passado, e que, ao refleti-las, lembrei-me do casal Cleber e Ilza. Trata-se de Bodas de Prata, interpretada pelo saudoso Carlos Galhado. Bem sei que os anos a que se refere a letra, não condizem com os anos que Cleber e esposa vivenciam, mas, em sua expressão espelham trechos que hoje partilham suas felicidades.

Desejo-lhe Cleber, e à sua esposa Ilza, amigos que Deus me proporcionou no crepúsculo de minha vida, toda a felicidade e todas as bênçãos. Minha prece, amigo, se faz um calado pranto do meu coração no encanto de tua felicidade, na alegria que proporciona a todos com sua maneira de ser, como a bondade que lhe é peculiar e pela energia sempre positiva que perpassa aos nossos olhos. E hoje, ao despertar-me, pedi a Deus que transformasse toda sua felicidade, toda sua alegria e toda sua bondade, em um erário dos céus, como o sol que ilumina o orvalho na grama e faz dessas gotas, simples diamantes.

 

                                                    PROFº GILBERTO.

 

 

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO.

 

Hoje, eu e Ilza completamos aniversário de casamento, uma história que começou quando ela tinha treze anos e eu quinze. Se me perguntarem, não sei dizer como chegamos até aqui, porque o tempo, nas suas diversas dimensões, esquecemos de contar. Apenas vivemos com as nossas liberdades, convicções e respeito. Como qualquer casal, sofremos as agruras dos caminhos, mas soubemos divisar a linha do horizonte. Agora cascudos, realizados, buscamos o sentido da vida que está além dos sonhos da infância, da adolescência, da maturidade.... Vivemos bem porque a sabedoria já não nos permite olhar pra trás e reclamar. Hoje não tem festa e nem viagem de comemoração. Um desconforto bucal tem deixado ela bastante abatida. Mas entendemos com a maior naturalidade porque nem sempre dá pra ser do jeito que a gente quer, e isso é uma bela lição que aprendemos. Um brinde! Beijos!

 

                                                                                                                                                         CLEBER COELHO.

 

 

 

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O DIA INTERNACIONAL DA MULHER E A IMPORTÂNCIA DO CHAPÉU PANAMÁ.

 

 

Rio de Janeiro, 08 de março de 2016.

 

MULHERES...

 

 

O que fazer da vida sem ela,

num papo de bar, se ela não está presente?

Em carne e osso ou pensamento,

Tudo é fútil, à exceção do futebol, seu único adversário....

 

......

 

 

Picasso, Di Cavalcanti, Portinari,

Nelson Rodrigues, Niemeyer,

e tantos outros, foram escravos

das suas curvas insinuantes,

olhares, sorrisos e madeixas...

O mérito deles? Escravizar-se pelo seu belo.

 

......

 

Ah, Tom Jobim, Vinícius, Drumonnd,

Caimy, Paulo César Pinheiro, Chico...,

todos beberam da mesma fonte.

Sem elas, eles não seriam tocados pelo lirismo e pela poesia...

 

......

 

Teoria minha? Claro que não!

É só ler e ouvir versos e canções desses ícones para constatar.

Eu particularmente, adoro “Garota de Ipanema”!.

Tudo bem: havia um sol radiante, chope gelado,

petiscos maravilhosos, vista linda naquela tarde...

mas, a pergunta crucial é a seguinte:

se ela não passasse assim,

“... coisa mais linda tão cheia de graça...”. Hein?

 

......

 

Mulheres...

De saia rodada. Shortinho, biquini,

batom, cabelo preso, solto ao vento...,

Um longo de costas à mostras, gargantilha, brincos, colares,

Rostos emoldurados, ainda por cima um sorriso meigo,

Sensual, enigmático.

 

......

 

Mulher guerreira,

rosto talhado pela dureza da vida,

no peito, medalhas de vitórias,

no coração, a dor das perdas, das derrotas.

No travesseiro, as lágrimas incontidas.

 

......

 

Mulheres...

Eis me aqui, cavalheiro,

disposto a lutar pela sua guarda,

e velar pelo teu sono.

Não tenho armas, e nem valentia é o meu forte.

Possuo apenas um chapéu panamá,

para reverenciá-las sempre,

às suas passagens.

 

                                                    Cleber Coelho.

 

 

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CLEBER, UM CIDADÃO, AS CRIANÇAS E A SOCIEDADE.

 

 

      Rio de Janeiro, 07 de março de 2016.

 

 

DESABAFO: QUANTO TEMPO SENADOR?

 

                                         Prezado senhor Senador Ronaldo Caiado.

                                                                          Saudações

 

 

Venho com frequência acompanhando os pronunciamentos de Vossa Excelência, em debates no Congresso, assim como os dos senadores Cássio Cunha Lima, Magno Malta e mais alguns que compartilho dos seus posicionamentos políticos.

Aproveitando o ensejo, Senador, gostaria de propor, primeiro, pelo fato do sr. ser médico, um Projeto de Lei que tem a ver com o seguinte:

Que recebemos com frequência, através da mídia, notícias extremamente tristes de crianças que morrem sufocadas em interior no interior de veículos por esquecimento de seus pais. Considerando a alta tecnologia existente nas montadoras, fico perplexo que os executivos delas próprias até hoje não se preocuparam em criar um dispositivo que evitasse esse problema. Coisa que pra eles é extremamente fácil: um exemplo, penso. Criar um sistema de ventilação interna enquanto o veículo estiver estacionado;

Que se criasse um dispositivo de alerta que tocaria no celular do pai, a partir da falta de oxigênio ou aumento interno de temperatura no interior do veículo. Algo desse tipo que visasse a proteção da vida da criança;

Que fosse criada um Projeto de Lei, proibindo os pais de deixarem filhos menores de 5 a 7 anos, sozinhos dentro de veículos. Senador, é muito doloroso ver o descaso das montadoras, enquanto pais estressados, dominados pelas cobranças massacrantes do dia se tornam, igualmente, vítimas eternas das suas inconscientes consequências. Tudo isso, claro, fácil de ser executado, senador. Livraria crianças inocentes da morte, e de seus pais, que partem com os seus filhos pelo resto de suas vidas...

Em segundo, que o Congresso precisa mudar urgentemente (como o senhor sabe melhor do que todos nós), mas, me atrevo a fazer algumas sugestões:

a - Acabar com a possibilidade de mais partidos.

b - Que a administração dos partidos sejam obrigadas a selecionar candidatos de posturas ilibadas e aprovadas pela maioria dos membros do partido e através de pesquisa na internet, colocando o curriculum de cada um a disposição dos internautas de suas cidades ou estados.

c - Que fosse proibido ao parlamentar eleito de exercer atividade, seja ela qual for no Executivo ou orgãos e estatais que digam respeito á esse poder..

d - Que fosse proibida essa vergonha de barganhas, troca-trocas, visando interesses espúrios do Executivo e também do Legislativo.

e - Que fosse enxugado o número de parlamentares, como propõe o Senador Jorge Viana. Menos 25% de deputados e menos 1/3 de senadores. Se bem representados, como deveria, esse número colocado pelo Senador Tião Viana, é até demasiado; proibir que suplentes que não tiveram votos assumam cadeiras na câmara ou senado. Que seja suplente o segundo mais votado.

f - Que fosse diminuído o quadro excessivo de assessores parlamentas e verbas de gabinete, entre tantas outras, que demostram, simplesmente, o descaso do Congresso com o dinheiro público. Países escandinavos, em matérias publicadas na mídia com relativa periodicidade, mostram que o crescimento de uma nação provém da moralidade pública.

g - Que político cassado por qualquer motivo jamais pudesse exercer novamente essa função em nível nacional, estadual ou municipal, em qualquer cargo. Em boas palavras: execrados da vida pública.

h - Que cada político só tivesse passagem de retorno a sua base a cada quinze dias, com despesa paga pelo Legislativo. Caso quisesse viajar na semana seguinte, que pagasse do seu próprio seu próprio bolso. Que o Congresso, em suas duas casas, tivessem em suas instâncias, auditores do TCU que tornassem públicas e transparentes as contas do poder.

i- Que somente fosse pago ajuda de custo para moradia a aqueles que não tivessem imóveis do governo á sua disposição em Brasília; e,

j – Tudo isso, Sr. Senador, é o mínimo que os senhores podem a começar a fazer pelo seus país e pelo povo que os elegeram.

Em suma, Sr. Senador, que cada um dos políticos trouxessem para o seu povo o orgulho de tê-los como representantes.

Ah, que os Ministros do Judiciário e de todas as instâncias desse poder, fossem diretamente eleitos pelos membros da sua Alta Corte em lista tríplice, com a sabatina do Congresso, e tão somente quando esse último tiver a confiança do povo. Não pode o Executivo, seja a que título for, indicar representantes para as Altas Cortes de um outro poder sob pena de se ver um Tóffoli, que nem juiz foi, ser indicado e imposto à Suprema Corte com as benesses do Senado. Quanto custou ao Executivo esse "acerto"?

O resto, senador, é retirar, o quanto antes, essa presidente do poder e tudo o mais que diz respeito ao PT; essa máfia, comprovada através dos dois últimos anos pelo MP, e que colocou o país na UTI.

Com o meu respeito, e profunda esperança de ver um Brasil melhor e digno.

Atenciosamente,

Cleber Coelho

 

Adendo:

Sou empresário, sócio de uma pequena de projetos da área de lojas de Departamentos, Supermercados, etc.

Em 2014, faturamos R$ 1.300.000, Em 2015; R$ 900.000,00. Em 2016, fomos obrigados a dispensar, debaixo de muita tristeza, dois projetista preparados por nós durante dois anos, entregamos duas salas, fizemos acordos com mais dois funcionários para trabalhar em suas casas para diminuir custos, renegociamos contratos com clientes com perdas de mais de 20% enquanto a inflação já passava dos 9%. Novos contratos, nem pensar: apenas terminar a execução de umas poucas e pequenas reformas de lojas, que é isso o que os grandes clientes estão fazendo, atingidos que foram, também, por esse quadro econômico. Quanto tempo o senhor acha que falta para os pequenos, como nós, que somos a maioria das empresas que mais pagam impostos ao erário público, para fechar as portas? Quanto tempo falta, senhor senador, para o "Baile da Corte" ou para a nossa "Missa de Sétimo Dia"?

Com os meus cumprimentos.

 

 

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QUANDO AS LEMBRANÇAS NOS FAZEM CRIANÇAS...

 

 

 

Rio de Janeiro, 26 de março de 2003.

 

                                           Para meus netos.

 

 

Pensando nas agruras da vida, nesse tempo louco que nos transtorna e nas lembranças do que havia em nossas mentes para escrever sutilezas:

 

"MENININHA"

 

 

Quando era criança/E você "menininha"/

Em nossas brincadeiras era só chamar/

A fada benfazeja que ela depressinha/

Vinha das estrelas pra nos escutar.

 .....

Você queria do castelo ser a tal rainha/

E eu, um grande rei só para ti guardar/

Tudo brincadeira, tudo fantasia/

Mas meu Deus do céu, como é bom lembrar...

 

 

P.S. Essa cantiga eu compus em 1978 e a fonte de inspiração foram lembranças de fantasias, contos e histórias que habitavam a minha mente quando criança e que permanecem vivas ainda hoje. Esse mundo lúdico, inocente, puro, é o que me fascina. Eu costumo contar histórias para os meus netos e, disfarçadamente, olho nos olhos deles para ver a reação. Se você nunca viu o brilho de uma estrela de perto, olhe nos olhos de uma criança; ele vai estar lá.

 

 

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ATENÇÃO, APOSENTADOS!

 

Paim é senador do PT, e conhece como ninguém os direitos dos aposentados do INSS e sempre se pautou, ao defender os aposentados, nos estudos da ANFIP, órgão do próprio governo no âmbito da Receita Federal. Conheço os estudos da ANFIP desde 2009 quando comecei a questionar os números do governo em relação a previdência social privada. Qualquer um que se preste a analisar planilhas, leis sobre aplicação desses recursos, vê, sem precisar de bola de cristal, que os aposentados, seus avós, bisavós, e pais estão sendo claramente, há mais de décadas, surrupiados em seus direitos. Economistas famosos, articulistas renomados compram a ideia do governo que a previdência é deficitária.

É aquela história da mentira dita mil vezes que se torna verdade; virou rombo! Não falam dos 500 bilhões que hoje o governo paga anualmente somente para cobrir os juros da dívida. Nenhum Ministro da Fazenda ou Planejamento teve coragem de sentar com os banqueiros e questionar esse absurdo que empobrece o país e fazem bilionárias fortunas do lado de lá. Enquanto indústrias, comércio, áreas de serviços estão amargando prejuízos que já montam mais de 3% este ano, o setor bancário mostra lucros trimestrais da ordem de 25,30%?.

Mas o culpado é a previdência privada. Da pública, que tem seu reajuste com base no salário dos ativos e não se fala nada. E olha que, embora sejam 10% de aposentados, consomem recursos iguais ou maiores do que os aposentados da previdência privada- INSS. Só para esclarecer. Você, que um dia vai se aposentar pelo INSS, não fique à margem da discussão. Talvez lhe falte tempo, mas é agora que você tem que lutar pelos seus direitos. Quando velho vai lhe faltar força e energia para tanto. Leia, informe-se, discuta. A maioria dos idosos, mais de 80%, não lutam pelos seus direitos e isso eu constatei através de participação de grupos de estudos sobre o assunto. Então se você não defende o seu direito, alguém vai botar o seu direito no bolso alheio. Governos ignoram que você existe. A não ser que você trombeteie bem alto! ...Mas você tá velho, né?

 

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MAIS DO QUE NUNCA, VERDE E AMARELO.

 

 

Rio de Janeiro, 22 de março de 2016. 

 

Quando penso em milhões de pais e mães de família desempregados, jovens tolhidos nos seus sonhos, milhares de empresas fechando suas portas, PIB descendo a ladeira há mais de 1 ano, brasileiros morrendo em portas de hospitais, corrupção desenfreada levada pelo toma lá dá cá existente entre Executivo e Legislativo, penso que já passou da hora de retirar essa senhora da presidência, já que não teve capacidade para administrar o país e tampouco a dignidade de oferecer a sua renúncia à Nação.

Como cidadão brasileiro, que tem sua empresa sofrendo amargamente os prejuízos dessas inconsequências como tantos outros milhares de pequenos, médios e grandes empresários, é meu dever me posicionar: sou verde e amarelo, me indigna o que foi feito com a Petrobras, fundos de pensão, FGTS, pedaladas, BNDES, empréstimos milionários a fundo perdido aos amigos do rei e da rainha sem garantias em contra partida, perdão de dívidas de ditadores sanguinários na África, e por aí vai... infelizmente. FIESP, FIRJAN, CNI, OAB, etc., já se posicionaram pelo impeachment dessa senhora.

Enquanto a Argentina com Macri, só há dois meses no poder, já demitiu mais de 20.000 aspones e está renegociando, com êxito, a dívida da Argentina e em vias de receber 5 graus positivos das agências de avaliações, o Brasil e nossas empresas, perderam 5, sem falar nos 500 bilhões que a Petrobras deve e o prejuízo dessa nossa antiga joia da coroa no ano passado: 34,9 bilhões de reais, conforme anunciado ontem pelo próprio presidente da empresa, Sr. Benedine. Seria idiota, inconsequente se acreditasse que esse governo pode mudar alguma coisa... Me perguntarão, como já me perguntaram: outros mudarão alguma coisa? Acredito. Tivemos um Collor e um Itamar Franco, tivemos uma inflação mensal de 80% ao mês, mas também tivemos a URV. Como diz a poeta Elisa Lucinda: "se não deu pra mudar o começo, dá pra mudar o fim".

Amigos que não comungam do meu posicionamento tem o meu respeito, mas a experiência, sem idealismo nem xenofobia, me diz que estou certo. E não dá para esperar muito pra ver. Milhões de brasileiros estão desempregados, e pior, sem perspectiva de uma colocação. Essa inconsequência que humilha é o que mais me entristece e as vezes me faz chorar. Como bem disse Fagner em sua música: "Um homem sem trabalho não tem honra".

 

                                                                                                                                                                 Cleber Coelho.

 

NOTA DO EDITOR:

 

Amigo Cleber, a sua grandeza política contribuiu, quem sabe, para dias melhores em nosso país, com o seu pedido aprovado, por enquanto. Que ela e ninguém mais, que usurpa de suas funções, voltem a dirigir nosso Brasil. Depende de nós. Mas que seu pedido foi aprovado, isso foi. Você é o cara!

 

 

 

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FEITIÇO DA VILA.

 

 

NOEL ROSA.

 

Aprendi na vida que gostar é, independente de aprendizado e sentimento, uma questão de cultura. Exemplo disso é o fato de que quando somos criança ou pré-adolescente, com raras exceções, temos certa dificuldade para gostar ou mesmo paciência para buscar entender versos e melodias que não sejam do nosso tempo. Aquelas, por exemplo, que embalavam os sonhos dos nossos pais e avós. Falo isso porque lembro-me de achar entediantes as músicas que meu pai colocava na sua vitrola, de 78rpm, quando eu era ainda um menino; em sua maioria, melodias carregadas de sentimento tristonho que contrastavam com as cantigas infantis que alegravam as tardes no quintal de casa.

Um dia, já adolescente, me perguntei: por quê as pessoas mais velhas gostam tanto dessas músicas? A passagem pela adolescência, o amor platônico pela primeira professora e pela normalista de tranças que sempre, às tardes, seg .uia para o Instituto próximo a minha casa, trouxeram-me a resposta que eu procurava. A partir dali, uma grande preocupação tomou conta de mim. As roupas; calças e camisas, sob ferro à carvão, tinham agora o zelo de nunca dantes; meus cabelos passaram a receber "Gumex"; e os sapatos?.

 

                                                 

                                

LEMBRANÇA DE TEMPOS FELIZES.

 

Ah, esses então só viviam nos strinks...! Estava assim, ainda sem muito bem perceber transitando de um tempo que cuidava das coisas lúdicas para um outro que cuidava das coisas do coração. Paradoxal esse novo tempo...; gostava dele porque nele descobri o amor, a paixão, o perfume envolvente e embriagador de uma mulher e que jamais esqueci.... Por outro lado, detestava-o porque, ao mesmo tempo que me brindava com as maravilhas dessas descobertas, mostrava-me o quão pequeno era eu diante delas... Na presença da menina de trança, a boca, se tinha, não abria; pulmões...? Ah... esses paravam instantaneamente; nenhum sopro saía pelas narinas... e o coração? Não, não devo falar, o coitado disparava, como um coelho assustado que foge da garra do seu algoz. Tudo se paralisava diante do belo... do inusitado... É como se, repentinamente, um cego pudesse ver todas as estrelas no céu e, extasiado, perplexo, não acreditasse.

Jamais esqueci de tantos bilhetes escritos e nunca entregues à ela por conta desse bloqueio que nos torna tão pequenos diante do sublime... Contava naquela época, dezesseis... dezessete anos, se tanto, quando, certo dia, essas coisas que falam ao coração, fizeram com que eu, quase que instintivamente, colocasse  no toca-discos do meu pai um disco com músicas de  Noel Rosa, e por ele interpretadas, que tocaram o meu sentimento de uma forma deliciosamente estranha. Eram melodias e letras que um coração adolescente e apaixonado queria ouvir... Descobri, ali naquele momento, que o que o meu coração adolescente quisera ouvir, eram as mesmas coisas que os corações adolescentes de meus pais e avós também quiseram um dia escutar...

Havia, assim, descoberto que aquelas músicas, a princípio, e por meu julgar enfadonhas, tinham muitas riquezas; como uma flor que só se mostra bela à quem tem olhos de jardineiro. Começava ali o meu aprendizado... Noel tinha olhos de jardineiro e em cada terreno do sentimento humano ele colheu as flores que lhe deram subsídios para falar da nossa alma, em prosa e verso; às vezes de forma sublime... às vezes jocosa... às vezes satírica... mas não são assim as nossas almas...? Noel, já a partir de então, passou a me "emprestar" versos românticos que decorava para, em sonho, recitar à primeira namorada que, de verdade, ainda não tinha. Por vezes, na minha santa ignorância, tinha dificuldades para entender o que ia nas entrelinhas de algumas das suas letras e, naquela época, mal sabia o que era entrelinhas... sabia que não sabia tudo... sabia que me faltava cultura... conhecimento... sentimento não, esse já habitava o meu coração... Hoje rio, por um dia na minha adolescência, ter levado ao pé da letra esse verso de Noel: "Ai que mulher indigesta, merece um tijolo na testa!" Também não sabia o que era "sentido figurativo"... alguém me explicou... Assim, fui descobrindo Noel e, a cada descoberta, mais me impressionava esse compositor, nascido na antiga Fazenda do Macaco, hoje Vila Isabel!

O povo da minha querida cidade do Rio de Janeiro, jamais deixou de estender a esse grande compositor o "tapete vermelho" pelo reconhecimento à sua obra e à sua contribuição à história da nossa música e cultura popular; no caso, calçadas de uma avenida inteira, foi o tapete onde a ele se prestou e se presta uma das mais belas homenagens que já vi. Pois é, em toda a extensão das calçadas do Boulevard, hoje 28 de Setembro, lá em Vila Isabel, estão grafadas com pedras portuguesas, em negrito, a pauta musical de algumas das suas mais belas melodias e de outros grandes compositores que a Vila já pariu ou acolheu: Pixinguinha, Ari Barroso, João de Barro, Lamartine, Catulo da Paixão, Donga, Sinhô, Ernesto Nazareth, Orestes Barbosa...

                                

                                

 HOMENAGEM À SAUDOSA MEMÓRIA DO POETA DA VILA.

 

Um dia, há muitos anos atrás, por força de tamanha curiosidade, resolvi conferir essa homenagem e logo no início da 28 me deparei com Noel, em bronze, acompanhado de Vadico, sentado à mesa de bar, tragando o seu inseparável cigarro. Puxa, falei prá mim mesmo, esse rapazinho aí não foi pouca coisa não! Noel, eu sabia, morreu aos vinte e sete anos de idade e compôs cerca de trezentas músicas! Acho que em tão curto espaço de tempo foi o único. Segui adiante, e embora não entenda nada de notas musicais, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, essas coisas que só servem para tornar vivenciáveis os nossos dias, comecei assim, solitariamente, a me extasiar com o que viam os meus olhos e a lembrar de versos de composições suas que permanecem em minha mente e, com certeza, na mente de todos nós que fomos alcançados por elas.

Quem não se lembra, por exemplo, de "Quem nasce lá na Vila nem sequer vacila ao abraçar o samba ... ou "E as pastorinhas, prá consolo da lua, vão cantando na rua lindo versos de amor...". Tentava descobrir mais, tentava decifrar aquelas notas em negritos portugueses para saber se, naquele momento, por exemplo, eu estava diante da "Estrela Dalva", ou sob o "Feitiço da Vila"... Os deuses, talvez querendo manter a magia daquela hora, ignoraram a minha avidez e assim fiquei sem saber, caminhando, por onde caminhava. Continuei sobre brancas e negras pedras portuguesas e a cada passo   buscava respostas para tudo aquilo. Como, me perguntava, e em que circunstâncias nasceu esse compositor que até hoje é água de beber para, poetas, compositores, atores, escritores; para todo esse povo, enfim...? De onde viria tamanha inspiração e na velocidade tanta...? Quem poderia dizer-me?

Fala-se muito da calçada da fama nos States, mas lá o homenageado tem que enfiar pés ou mãos no cimento para deixar grafadas as suas digitais e, só então, e a partir daí, merecer tal honraria. Noel, o nosso "Poeta da Vila", jamais se submeteria a isso! Na sua santa malandragem, e nisso vai certeza absoluta, outorgaria uma procuração "à quem interessar possa" e daria ao outorgado, "para os devidos fins", o direito de lambuzar as mãos ou os pés, e enfiá-los naquela massa cinzenta e obscura. Ficaria, acredito, observando de soslaio, lá da mesa do "Café Vila Isabel", a lambança, enquanto redigia mais um samba que se tornaria sucesso na voz de Araci de Almeida. Terminada a minha andança, do Largo do Maracanã até à Praça Barão de Drummond, percebi que ficara um vazio e que só agora, muitos anos depois daquela caminhada, eu tento preencher.

Foi Noel que novamente me fez andar pelas suas calçadas como a me cobrar ressarcimentos pelo tanto que me ofertou; ora pelas suas músicas nos bares do Boulevard; ora pelos versos que lhe tomei e ofertei à primeira namorada como se meus fossem... ora pela sua história que vou tentando   compor ao sabor das lembranças... Ah... Noel, por onde me levas...? Não satisfeito, me fez ir em busca da sua alma, nos "pontos e "botecos" que frequentou; já não bastava a sua obra... Às vezes pensava escutar Noel me dizendo coisas: " preguiçoso... o que sabes da Vila...? da Confiança...? dos Três Apitos...? Por que parastes? Assim continuei a minha busca; ora sozinho, ora com Noel no meu pé me chamando de preguiçoso... Noel não era fácil não! Meu amigo Roberto, por conta dessa minha busca e aflição, contou-me que Hortênsia, hoje sua namorada, foi flerte dele no tempo em que este fazia ponto no "Café Vila Isabel", o que ela nega naturalmente, com um sorriso maroto. Não é verdade; lá pelos idos de 1930, Hortênsia nem sonhava ter nascido, Noel sim, e, naquela década, já com seus 20 anos, colecionava grandes amores: Clara, Fina, Ceci... nenhuma Hortênsia. Como disse antes, não sabia em que circunstâncias se deu essa magnífica homenagem à Noel e outros grandes que cito, mas foi Noel que tanto acrescentou à minha adolescência e vida que cabe aqui, com solene respeito aos demais, o registro dessa busca como forma de agradecimento à ele pelo tanto... Por conta dos festejos do Quarto Centenário da   Cidade do Rio de Janeiro, em 1964, Orlando Madalena, arquiteto, vilaisabelense, teve a brilhante ideia das "Calçadas Musicais", onde se perpetua a grande homenagem à Noel e outros grandes compositores que são a essência da nossa música popular.

 

 

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HISTÓRIAS E REFLEXÕES.

 

 

Bons tempos aqueles em que você tinha disponível no mercado excelentes profissionais para fazer pequenos reparos em sua residência, a preços módicos e com garantia de qualidade. Hoje, tudo está pelos olhos da cara. Para quem nasceu depois dos anos 70, isso quer dizer o seguinte: Está tudo muito caro!

Tente contratar um pedreiro, um bom ladrilheiro, um bombeiro hidráulico. Os bons profissionais, aqueles que tinham orgulho do seu trabalho e pena do nosso bolso, hoje são raros. Achar, por exemplo, um marceneiro qualificado e acessível financeiramente, é como procurar agulha no palheiro. Estava refletindo sobre isso quando lembrei da seguinte história: À duas quadras do prédio onde eu morava, à Rua Bernardino - Praça Seca, há muitos anos atrás, residia um senhor marceneiro que fabricava móveis sob encomenda a quem eu encomendei um guarda - vestido (para os antigos), guarda - roupa, para os que nasceram depois dos “anos dourados”. Hoje não me ocorre o seu nome. Como diziam os mais velhos, "varreu-se da memória ". Era um senhor, moreno, de cabelos grisalhos, e que guardava no seu jeito de ser aquela cumplicidade que existe entre o mestre e a sua tela, entre o artesão e a sua ferramenta.

 

                                                                                 

SEU NOME? NÃO IMPORTA. FICARAM A SAUDADE E A TERNA LEMBRANÇA.

Os artesãos não são pessoas comuns, assim como não o são os poetas, os músicos, os compositores, os escritores, os escultores, os pintores, os filósofos. São privilegiados a quem Deus deu a missão de tornarem vivenciáveis os nossos dias. Quem viveria sem música, um bom livro, a vista de uma bela tela, um bom conselho? Pena que hoje as artes e outros valores tão importantes na formação da minha geração, estejam sendo despojados da sua essência, da sua raiz. Sem saudosismo. Em nome do imediatismo que tomou conta do mundo, tudo se torna descartável. Também o amor, que era eterno, perdeu o seu status. Troca-se ele por uma boa conta bancária ou uma BMW, talvez, muito menos.

Vivemos, hoje, obcecados e obrigados a aprender o que a ciência da hora nos impõe. A necessidade de estarmos atualizados com as novas tecnologias, wardwares, softwares e o que mais a mídia nos dita na tele e na net, nos tornam competidores desmedidos e desumanos. A vida nos cobra a sobrevivência. A sobrevivência nos cobra que matemos a cobra, mostremos o pau e, cansados, sigamos atrás do leão que todo dia também temos de liquidar. Um dia, esse homem, eterno transformador, voltará à idade da pedra e, recomeçará tudo, descobrindo que gravetos, restos de madeira e o atritar de pedras, produzem o fogo que o aquecerá e, também, a sua vida.

Aí, com tempo de sobra, absorverá o perfume das flores; suas mãos, tempo para cuidar da terra; sua boca, tempo para a mulher amada; seus olhos, tempo para olhar as estrelas e tentar desvendar os seus mistérios. Como Fênix, ele renascerá despojado das impurezas do corpo e da alma, mas logo depois voltará a fazer besteira!

Ufa! Voltando à minha história. Dias depois, mandei o Guto, meu filho mais novo e que naquela época tinha uns quatro anos, na casa do senhor marceneiro para saber se o móvel estava pronto. Gustavo foi, demorou, demorou, demorou e não voltou. A mãe, preocupada, me alertou que o filho estava demorando muito. Naquela época, não havia essa exacerbada e obsessiva preocupação que hoje deixam os pais de cabelos em pé quando os seus filhos estão fora de casa. A preocupação existia, mas era, por exemplo, com o atravessar de rua e isso o Guto já fazia muito bem. Também o trânsito de carros, na Rua Bernardino, era muito pouco e os motoristas muito menos estressados que hoje. Chamei Frederico, meu filho mais velho e pedi-lhe que ele fosse atrás do irmão. Frederico foi, demorou, demorou, demorou, e não voltou. A mãe, aflita, já perdendo a paciência comigo, insistiu que eu fosse procurar os seus meninos. Não conseguia ficar tranquila sem saber o porquê da demora das suas crias. Essa demora, de mais ou menos uma hora e meia, realmente estava além do tempo necessário para ir e voltar da casa daquele senhor, o que poderia ser feito, entre ida e vinda, em 20 minutos. Saí de casa preocupado naturalmente, mas não havia na minha preocupação a preocupação dos pais de hoje.

Antigamente, essa demora era computada à “pelada” na rua, uma fugida para jogar ping-pong na casa de coleguinhas, coisas assim. Hoje, qualquer mãe desespera-se! Seus pensamentos vão, imediatamente, da bala perdida ao sequestro em razão de segundos! Caminhei até a casa do senhor marceneiro. Havia um portão, tipo garagem, depois um corredor de chão batido e lá no fundo do terreno uma grande área arborizada onde à esquerda ficava a sua casa, no centro a sua oficina e à direita uma pilha de tábuas de madeira de, aproximadamente, uns dois metros de altura. Era seu material de trabalho. Passei pelo portão e pela metade do corredor, quando então fui surpreendido por um cachorrinho pequinês que veio em minha direção latindo desesperadamente! De tão pequeno não me assustou. Avancei e ele recuou, não sem antes tentar fisgar o meu calcanhar. Nada que um pedaço de pau e uma pedra não resolvessem. Continuei em frente e, de repente, avistei, em cima daquela pilha de madeira, olhem só, os meus meninos! Pois é, o dono não estava em casa e aquele cãozinho, bravamente, defendeu o seu terreno e a sua  propriedade com toda a força dos seus pulmões. Ele deve ter ficado orgulhoso, afinal colocara dois dos três invasores do seu território fora de ação, ou melhor: em cima da pilha de madeira! Guto, o primeiro, Frederico, o segundo! Esse, enfim, foi o motivo de tanta demora!

 

 

PEQUENO, SIM SENHOR. MAS, VALENTE!

 

Tempos depois, Frederico colocou para dentro de sua casa, sozinho, um enorme pastor alemão que havia fugido e vagava pela rua. O animal circulou amedrontando a Deus e o mundo. Frederico correu, pegou-o pela guia, e, como disse, colocou-o de novo dentro de casa e trancou o portão! Bravura? Nada disso. O cão pertencia a um capitão do exército, nosso vizinho, em cuja casa Frederico brincava com os seus filhos, quer dizer, com os filhos do capitão. O grande pastor alemão já era então, digamos assim, íntimos do nosso filho. Não houve bravura; houve ato de responsabilidade tomado por uma criança.

 

QUANDO A FEROCIDADE É DOMINADA PELO AMOR DAS CRIANÇAS.

 

P.S. Duas histórias são verdadeiras, a terceira o homem ainda vai contar.

Para meus filhos e netos.

 

Cleber Coelho (09/04/03)

 

 

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Que falta nos faz... | 19/04/2016
É verdade, Carminha. O menino de meio sorriso faz uma falta danada!. Beijos.
Cleber Coelho

Vida de sonhos... | 19/04/2016
Você tem o meu respeito, grande admiração e carinho. Não vejo a hora de sentarmos juntos para fazer, nem que seja em sonho, essa vida valer a pena. Um beijo carinhoso. Grato pelas alegrias que você tem me proporcionado. Salve! Um brinde!
Cleber Coelho

Lembranças dos bons tempos... | 19/04/2016
Cleber, quantas vezes tomamos nossa cerveja nos bares, restaurantes e clubes da praça. E hoje, são só cinco minutos para falar de tristeza, porque com ele a tristeza ia embora. Suas saídas como sabe, o que é bom para varizes saíam. Bons tempos!.
Carmem Cortes

Responsabilidade a toda prova. | 19/04/2016
Poxa Cleber, é muita responsa amigo, meu saudoso parceiro Sócrates também pintava, um dia pintou um quadro e disse: Buenão, este quadro é seu, só que nunca me entregou rsrsrs e um dia numa exposição que fez junto com o cantor Fagner que de cantar e compor também pinta, colocou minha tela e ela foi comprada, dai ele disse, te pinto outra, mas não deu tempo... Sabe querido amigo Cleber, tudo dentro do seu texto, você disse que Beto teve um infarto e Sócrates muitas vezes numa roda de prosa sempre na mesa de um bar, ele como médico dizia: Buenão, a dor do infarto, é pior que a dor do parto... Um brinde amigo...
Bueno Cantor

Realização de um sonho. | 19/04/2016
Bueno, olha que coisa engraçada. O tempo, às vezes, tenta limitar situações: o minuto tem 60 segundos, o dia 24 horas, o mês 30 dias.... Mas, a amizade que aparentemente nasceu ontem pode ter 50, 60 anos, ou nem se enquadrar filossficamente nesses tempos ditados pela matemática. Com relação a você, não sei falar de tempo, sei falar que aprendi no dia a dia a ir conhecendo a sua arte, o jeito que você engana os problemas e segue em frente, o seu violão, a sua postura, sua música, estilo, elegância, a sua sensibilidade para as artes plásticas. Ter você como meu convidado numa mesa quatro seria a realização de um sonho, acho que pra ambos seria maravilhoso. A celebração da vida. Mas finalizando, queria te contar um caso e fazer uma cobrança: há cerca de 5 anos perdi um grande amigo, artista plástico, que, uma semana antes de morrer, novo ainda, em torno dos 55 anos, me disse o seguinte, pelo tanto que eu gostava dos quadros que ele pintou (um dia te mando fotos): "Clebinho comecei essa semana a a pintar o seu quadro. Não demora muito e estará pronto". Não deu tempo. Dias depois ele teve um infarto e deixou mais este vazio. Bem, agora tem você com sua sensibilidade a quem peço de coração: Bueno, de alguma forma , usando os atributos que Deus lhe deu, realize o meu sonho. Gostava muito do modo como Adilson Nunes expunha a sua criatividade, do mesmo modo como você expõe a sua.
Cleber Coelho

Adorei. | 19/04/2016
Que lindo amigo, adorei. Espero um dia sentar contigo na famosa "mesa quatro" e encharcarmos o verbo jogando conversa fora e muito chope dentro, baitabraço Cleber...
Bueno Cantor

Colo sem preço. | 19/04/2016
Betinha e Carminha, o texto é do tempo em que vocês ainda não sentavam na mesa quatro. Mas, retificando, por mérito Carminha e Betinha foram, como assim dizer, o meu colo na falta do nosso amigo. E esse colo não teve e não tem preço. Obrigado, Carminha, obrigado, Betinha. Beijos. Curtir · Responder
Cleber Coelho

Limitações... | 19/04/2016
Obrigado Elvina e Waldir. Nem me atrevo a compor. Sei das minhas limitações, mas tem hora que vc tenta, né? Não nasci com a estrela de Paulo César Pinheiro e tantos outros que vocês nos presenteiam todos os sábados, para a minha alegria e libertação. Mas hoje, e de vez em quando bate uma saudade desse "Menino de meio sorriso", que não dá para não dizer da falta que ele faz na mesa quatro. Às vezes, estando aí, penso: Ah!, se Beto pudesse estar aqui na mesa quatro vendo o "Samba de Raiz" comigo. Não se pode ter tudo o tempo todo. Curti muito a sua amizade, e foi bem a partir da sua falta que passei a ver em cada amigo de verdade o sentido da vida,como vocês que aprendi a amar, respeitar e reverenciar. Salve! Bjs na turma.Sds.
Cleber Coelho

"Descoberta" | 19/04/2016
Que lindo Cleber Coelho! Mais uma descoberta, teu lado compositor.
Elvina e Waldir Rodrigues

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