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DENIZAR DE OLIVEIRA
   

A EXPRESSÃO DO AMOR E DA BONDADE.

 

AS ORIGENS.

Num dos mais novos bairros de Taubaté, anteriormente conhecido como Loteamento da Chácara do Bispado e atualmente denominado como Vila Nossa Senhora das Graças, residia a família de Cherubim de Oliveira, um competente Telegrafista, Chefe de Estação e prestimoso funcionário público da Rede Ferroviária Federal, outrora, a nossa querida e saudosa Estrada de Ferro Central do Brasil. Era outono brasileiro, a típica estação do ano caracterizada pela queda de temperatura e pelo amarelar das folhas das árvores. Também, coincidiria com a semana que pré-estabeleceria o fim da Segunda Grande Guerra Mundial em solo europeu. Foram fatos marcantes que testemunharam, naquele cinco de maio de mil novecentos e quarenta e cinco, o nascimento e as boas vindas ao mais novo habitante da Vila das Graças e da cidade de Taubaté, Denizar de Oliveira, o primogênito da Família Oliveira. Com o passar dos anos, outros irmãos fariam parte daquela família unida e feliz, dentre eles, respectivamente, Joaquim, Roberto, Gil e Wagner. Denizar viveu, assim podemos dizer,  uma infância feliz e tranqüila até aos dez anos de idade no aconchegante e querido Distrito de Quiririm, município de Taubaté-SP, uma importante concentração da colônia italiana do Vale do Paraíba Paulista.

O FIM DE UM SONHO.

Tempos mais tarde, residindo em Taubaté e estudando no Colégio Diocesano, desenvolveria toda sua juventude ao lado de seus amigos e principalmente de sua família. Sendo ótimo filho e um bom aluno, Denizar despontaria também nos esportes. No Instituto Diocesano de Ensino Santo Antonio formaria uma equipe de jovens talentos, e, aos 14 anos, já apareceria como um promissor atleta. Certa ocasião quando disputava uma partida preliminar do E.C. Taubaté no velho e saudoso Campo do Bosque em Taubaté, observadores (olheiros) do Santos F.C. presentes àquela partida, evidenciaram que ali nascera para o futebol um jovem craque e que bem poderia compor a equipe de profissionais daquele famoso time de camisas brancas, de Pelé e Companhia. Entretanto, quis o destino que aquele momento mágico em sua vida não fosse concretizado. Sua mãe, dona Olga, que pouco tempo antes perdera um de seus filhos, Joaquim, de tenra idade e vitimado por uma doença infecciosa, comumente conhecida como tétano, entendeu por bem não permitir que Denizar dela se distanciasse, e dessa forma, aquele acalentado sonho chegasse ao fim e aquele garoto prodígio e “menino endiabrado com a bola nos pés”, pudesse também seguir seu destino.

UM CAMPEÃO EM TODOS OS ASPECTOS.

E prosseguiria com seu futebol vistoso, bonito, clássico e acima de tudo leal. Sim, leal, pois Denizar jamais se utilizaria de outro ardil para ser o que foi e jamais pregaria a violência dentro ou fora do campo. Foi um cavalheiro em constante carinho com a bola e sempre um vencedor. Tratava-a como um trampolim para a conquista de novas amizades e fazia do esporte a extensão do amor em seu semelhante. No Desporto Nacional Militar e prestando o Serviço Militar no 2º Batalhão de Engenharia e Combate de Pindamonhangaba, sagrar-se-ia Campeão do Torneio do Vale do Paraíba, Campeão do Campeonato Estadual, Vice-Campeão do Campeonato Brasileiro, Vice-Campeão do Campeonato Brasileiro das Três Armas e a coroação final com a convocação para a Seleção Brasileira do Exército. Como atleta profissional, defenderia as cores Alvi Azul do E.C. Taubaté nos anos de 1965 e 1966, ocasião em que se tornaria Campeão do Torneio do Vale e Vice-Campeão do Campeonato Paulista da Divisão de Acesso.

Como pessoa, um cavalheiro. Daqueles que gostaríamos tê-lo a confabular e poder compartilhar de cada momento de nossas vidas. Como amigo uma pessoa maravilhosa, cortês, leal, solícito, bondoso, sincero e um constante conselheiro. Seus sessenta e oito anos constituem, na verdade, uma perfeita e extensa lição de sabedoria e todos esses anos estão cheios de meditação e versos de amor àqueles que lhe são caros. Todas essas bênçãos seriam portadoras de muito amor e sabedoria, advindas do ano de 1965, quando então, conheceria aquela que seria sua fã número um, a esposa dedicada e o grande amor de sua vida: Vera Lúcia.

A FAMÍLIA, SUA GRANDE ALEGRIA.

E desse eterno amor seriam abençoados com o nascimento de seu querido filho, Éric. Para a alegria e orgulho de sua família e amigos, Éric formou-se em Medicina e, atualmente, exerce suas atividades na cidade de São José dos Campos como um competente e prestimoso cirurgião pediátrico. Prestimoso, porque, nas adversidades que a vida apresenta a cada um de nós, sabe estender a mão amiga aos mais necessitados, àqueles que não possuem a mínima condição financeira para o atendimento de um filho enfermo. É, de fato, além de médico competentíssimo e honrado, um filho abençoado e querido por todos. Como pessoa e amigo cito-o como um gentleman. É a personificação da bondade, tal qual seu pai, e merecedor dos maiores encômios. Em suma, um exemplo a ser seguido.

E, como prêmio desse coração portador de toda benevolência, conheceria Cláudia, hoje, uma conceituada Consultora de Saúde nas cidades de Jacareí e São José dos Campos, aquela que seria sua futura esposa e mãe dedicada de seus filhos Hector e Enzo, razões de sua vida e de seus pais. Como mesmo afirmam Denizar e Vera, Cláudia é a nossa “filha querida”.  Como pai, Denizar é um tesouro de exemplos, sendo extremoso e atencioso para com seu filho e sua família. Como marido, o espelho daquela bondade infinita de que é portador seu coração. Depois do futebol profissional, Denizar se tornaria funcionário da Ford Willys e de onde se aposentaria. É graduado em Administração de Empresas pela Organização Guará de Ensino – Faculdades Nogueira da Gama.

UM LEGADO DE ENSINAMENTOS.

Em todo o conhecimento sobre Denizar e no colóquio entre pessoas, pude perceber e compreender que jamais escrevera uma perfídia contra alguém e jamais exprimira um sentimento de inveja. Como homem público que foi ao assumir a Gerência da Área Esportiva da Prefeitura Municipal de Taubaté em 1997, deixou seu legado de competência e honestidade, fatores que constituem os frutos da árvore da honradez, colhidos e distribuídos durante toda sua trajetória para o bem comum da coletividade taubateana. Nessa atividade foi o criador das famosas e eficientes Escolinhas de Futebol, proporcionando às crianças carentes ou não, a realização do tão acalentado sonho, de se tornarem, no futuro, homens e atletas profissionais. A partir de 1998, foi convidado a fazer parte dos noticiários esportivos das Rádios Cacique e Difusora de Comunicação, ambas em Taubaté-SP, tornando-se um expressivo e muito querido comentarista esportivo. Denizar foi sempre um vencedor por onde passou. E a recompensa por tudo isso são sinônimos e extensão de seu coração voltado para a alegria de viver. Não conhece nenhum inimigo e não guarda rancores; quando ofendido, procura pela bondade desarmar o ofensor; e, em todas as situações paga o mal com o bem. E não sei de quem se sentisse tão feliz por ajudar quem quer que fosse, sem cogitar, jamais, da recompensa e da gratidão. E, para qualquer benefício ao seu semelhante, esquece-se de si mesmo.

UMA SOMBRA QUE SOFRE.

Há anos Denizar descobrira que um mal em sua saúde o acompanhava. Era, a princípio, algo impreciso, porém, preocupante, e que dia após dia, se tornaria para ele, desolador. Tratava-se de um inimigo poderosíssimo, difícil de ser vencido, impetuoso, devastador e cruel. Entretanto, pessoa dotada de princípios religiosos e um cristão na acepção da palavra, a tudo enfrentaria, custasse o que custasse. Em toda sua existência, sempre colocara Deus à frente de seus caminhos. Também nessa batalha desigual caminharia com Ele até o último dia de sua vida. A tudo suportou resignadamente, não blasfemando e não se desesperando. Aceitou os desígnios impostos pelo destino, tal qual um General, que, vencido em uma batalha, aperta a mão do outro General vencedor. Derrotado por essa doença impiedosa, portou-se como um bravo ante a fatalidade. Vera, sua esposa, uma heroína! Aquela que durante quase meio século caminharia na alegria e na tristeza, e, no momento mais cruciante de suas vidas se portaria como uma alma espartana. Naquele momento difícil, aquela Níobe que o acompanharia em toda a trajetória de sua vida, a mãe extremosa de seu único filho e seu anjo da guarda, revesteria-se de coragem, transfigurando-se ante sua fraqueza! Escrevo essas palavras porque em muitos instantes em que presenciei todo o sofrimento de Denizar, Vera estava lá, silente, com a alma dilacerada pelo profundo sofrimento, buscando lenitivo em cada coração, à procura de consolo e refúgio naqueles momentos terríveis. Quanto sofrimento no momento da provação suprema, do incomparável golpe e do desenlace final! Mulheres como você, Vera, quando sofrem assim e assim afrontam a dor, ficam acima da humanidade e dignificam o mundo.

Às 00.15 minutos do dia 5 de junho de 2015, Denizar deixava-nos no dia em que completava setenta anos de idade. O velório ocorreu na Organização Assistencial São Benedito, e, às 16.00 horas da mesma data, foi sepultado no Cemitério Municipal de Taubaté, Jazigo nº 269, 4ª Quadra, da Família Oliveira.  

Descansa na eternidade este homem, em cuja alma as rosas não tem espinhos.

Até um dia, "Véio" !. 

 

PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.

cfgilberto@yahoo.com.br

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Denizar: "O Guerreiro". | 31/12/2014
Nunca pensei que um dia fosse encontrar uma pessoa que além de lutar e tratar a bola com carinho, luta agora pela vida. Só quem conhece e convive com o senhor Denizar pode falar desse grande homem guerreiro. Linda história Sr.: Gilberto e além de tudo, muito mais que verdadeira. Te amamos, senhor Denizar.
Ilza Duarte

Denizar, o menino da bola. | 27/12/2014
Na década de 60, convivi com Denizar no Diocesano, e posso afirmar: uma pessoa abençoada, carismática e maravilhosa. Parabéns!
José Luiz de Faria

Sem palavras... | 16/12/2013
Obrigado pela homenagem maravilhosa de meu avô. É de ficar sem palavras. Seu neto, Hector.
Hector

Um grande amigo! | 21/10/2013
Profº Gilberto...Denizar foi um dos grandes amigos do meu pai, Silvio de Souza. Fico muito feliz em conhecer um pouco mais da sua história. Parabéns pelas palavras.
Andréa Agostini Souza

Agradecimentos | 21/10/2013
Pois é, querida Andréa! Denizar é um grande amigo, como o foi seu saudoso pai. Amigos difíceis de se encontrar. Juntamente com Silvio e demais companheiros do time do 13, formamos uma grande família. Pena que os ponteiros do relógio do tempo conseguiram distanciar-se rapidamente de nossas vidas. Meus agradecimentos e um grande abraço a você e família.
Profº Gilberto da Costa Ferreira

Agradecimentos | 21/10/2013
Querido primo e amigo! Denizar é uma grande pessoa, sempre voltada para o bem. Pude viver os melhores dias de minha vida futebolística jogando no time do 13 do qual fazíamos partes. Não tive a felicidade de conhecer o "menino endiabrado com a bola nos pés" como muitos apregoam, mas, posso ter uma ideia pelo que vi quando jogador profissional e ao meu lado no Veterano. Um grande abraço.
Profº Gilberto da Costa Ferreira

O garoto bom de bola | 20/10/2013
Caríssimo Professor Gilberto, estávamos na década de 1950,quando tive a oportunidade de conhecer um garoto um tanto quanto franzino, porém, bom de bola. Um pivete que sabia conduzir uma bola como ninguém, chegava a humilhar seus coleguinhas de futebol. Esse garoto era DENIZAR. Eu, passei minha infância na rua Coronel Augusto Monteiro, ali bem próximo da hoje Padaria Brasil, do Bosque todo arborizado, até hoje, menos é claro e com o nome de Praça Monsenhor Silva Barros. DENIZAR, morava na rua 15 de Novembro bem em frente ao hoje Colégio IDESA. Seu papai, um senhor alto sempre vestindo paletó,passava constantemente em frente a minha casa, bem como também sua mamãe, uma senhora de pequena estatura de passos curtos e apressados. Não tenho lembranças de seus irmãos, talvez por não terem sido marcantes como foi Denizar. Quis o tempo que a nossa época passasse,e que cada qual fosse por um destino. Tenho certeza. Conheci o "PEQUENO GRANDE DENIZAR". Saudades daqueles tempos !
Nestor da Costa Ferreira

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